“ESCAPEI FEDENDO...”
A EXPRESSÃO
Foi
num domingo de
um mês e
de um ano
qualquer. Tudo acertado, arrumamos
as tralhas e, no carro
de Zé Pedro,
descemos para o
sertão. O objetivo
era pescar, comer
o peixe pescado
e tomar banho
no açude da
Floresta. A Floresta
é uma região
pertencente ao município
de Pacujá. Lá,
em um pequeno
monte, há uma
capela que os
viajantes das estradas
locais veem de
longe.
Alguns só
queriam tomar banho,
comer, beber e
relaxar, após o
rango, deitados em
redes que levavam. Poucos queriam
realmente pescar. Eram
cerca de 10
ocupantes do veículo,
entre estes estava
Marcelo Sousa (in memoriam),
Amarildo, o amigo Caburé e, não
tenho bem certeza,
meu grande amigo, pescador
de verdade, Zé
Felipe. Esta era
amizade antiga, pela
qual tinha grande
respeito e aqui
faço a homenagem
in memoriam. Lembro
que Zé Felipe,
em momento de
início da pesca,
me chamava
e dizia que,
ao final, abriríamos
“as urnas”. Era
tipo uma competição
entre eu e
ele. Assim, encerrados
os trabalhos, íamos
contar os peixes
que tínhamos “pegado”.
E ele, Zé
Felipe, sempre levava
vantagem. Ele sabia
onde o peixe
fazia morada. E
assim é o
Pescador com p
maiúsculo: sabe onde
está o peixe.
Já estes pescossim da
vida não sabem
de nada. Na
verdade, a grande
maioria, só pesca
“serra”, a água
que passarim não
bebe.
Mas, sem tergiversar,
voltemos àquele momento.
Quando chegamos, estabelecido
o local do
acampamento debaixo de
grande sombra dos
galhos de cajueiros
antigos, juntada a
madeira seca para
alimentar o fogo
da comida, alguns
foram ver e escolher
os pontos para
por o anzol nágua. Eu
mesmo escolhi ir
pescar num local
que considerei bom
de peixe, aberto,
calmo e limpo. Naquele momento
a superfície da
água estava tomada
por uma vegetação
que não apresentava
muitos espaços abertos
para botar o
anzol. O local
que escolhi estava
do outro lado
além do acampamento,
a cerca de
15 metros dali.
E havia a
necessidade de abrir
caminho pelo mato,
à sombra dos
grandes galhos do
cajueiral. Então, com um
facão à mão,
segui cortando galhos
e pequenos arbustos,
rumo ao ponto da
pesca. Em determinado
momento, vejo à
minha frente, deitado
em berço esplêndido, já bem
perto do ponto
que pretendia atingir,
um grande galho negro,
seguramente de
cajueiro, apodrecendo vagarosamente. Ao
tentar ultrapassar o
obstáculo, fui batendo
o facão na
casca escura para
cortar a folhagem
que obstruía a
minha passagem. E
eis que de
repente, sem esperar,
vi, subindo do
galho seco, uma
onda de marimbondos
pretos, que bem
poderia ser o
marimbondo tatu, “de nome
científico Synoeca
cyanea”, ou outro
do “gênero Polybia ou Apoica”,
e/ou “Vespas
Caçadoras Solitárias ( da Família Pompilidae
/ Sphecidae)”; todas
estas vespas, se utilizam
de ocos de
arvores mortas para
depositar seus ovos
e proteger suas
moradias ( IA do Google ). Num
ímpeto, sem fazer
interesse em contar
quantos, fiz meia
volta e corri
rumo ao acampamento.
O medo me
empurrou para trás,
tão grande era
o medo. Não
tinha outra coisa
a fazer de
imediato. Corri rumo
ao acampamento com
“o coração na
mão”.
Quase
me borrei de
medo. Em outras
palavras: ESCAPEI FEDENDO!!!!
Mecosta out 2026




