quarta-feira, setembro 23, 2026
quinta-feira, setembro 17, 2026
E para coroar o DIA: PATATIVA DO ASSARÉ - EU E O SERTÃO e VACA ESTRELA E BOI FUBÁ
Eu e o Sertão
Sertão, argúem te cantô,
Eu sempre tenho cantado
E ainda cantando tô,
Pruquê, meu torrão amado,
Munto te prezo, te quero
E vejo qui os teus mistéro
Ninguém sabe decifrá.
A tua beleza é tanta,
Qui o poeta canta, canta,
E inda fica o qui cantá.
Credito: portal MST
4. Vaca Estrela e Boi Fubá
Seu doutor, me dê licença
pra minha história contar
Hoje eu tô na terra estranha,
é bem triste o meu penar
Eu já fui muito feliz
vivendo no meu lugar
Eu tinha cavalo bom
e gostava de campear
Todo dia eu aboiava
na porteira do curral
Eeeeiaaaa, êeee Vaca Estrela, ôoooo Boi Fubá
Eu sou filho do Nordeste,
não nego meu naturá
Mas uma seca medonha
me tangeu de lá prá cá
Lá eu tinha o meu gadinho, não é bom nem imaginar
Minha linda Vaca Estrela
e o meu belo Boi Fubá
Aquela seca medonha
fez tudo se atrapalhar
Eeeeiaaaa, êeee Vaca Estrela, ôoooo Boi Fubá
Não nasceu capim no campo para o gado sustentar
O sertão se estorricou,
fez o açude secar
Morreu minha Vaca Estrela,
se acabou meu Boi Fubá
Perdi tudo quanto eu tinha, nunca mais pude aboiar
Eeeeiaaaa, êeee Vaca Estrela, ôoooo Boi Fubá
O poema em questão exibe uma narrativa em primeira pessoa onde ficamos sabendo sobre os acontecimentos na vida de um sujeito que vivia no campo e tinha sua terra e seus animais, que lhe provinham sustento.
Por conta da seca, tal sujeito tem sua terra arrasada e perde seus animais. Assim, o poema é um lamento e uma denúncia sobre os males da seca no nordeste.
Esse poema integra o álbum fonográfico A terra é Naturá, gravado em 1981. O disco tem vários textos recitados pelo poeta e contou com a participação de nomes da música como Nonato Luiz e Manassés no violão, Cego Oliveira na rabeca e Fagner na voz.
Crédito: Cultura Genial
de CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE E AGORA JOSÉ?
FINAL DE FESTA! FECHADAS AS CORTINAS, NADA MAIS RESTA.
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio — e agora?Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nenhuma
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
O ano era 1942.
terça-feira, setembro 15, 2026
AS SUAS CONCLUSÕES
Tirem as suas CONCLUSÕES sobre uma ACADEMIA
Sem mais comentários!
quinta-feira, setembro 10, 2026
BANCO DE BIOGRAFIAS
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