E
A GRUTA
DATAS E
DE FATOS
Datam
de 1700, as
referências às minas
de Ubajara. Diz
Sadoc de Araújo,
à página 29 do
seu Estudos Ibiapabanos: “ corria o
boato de que
havia tanta prata
na ladeira da
Ubajara que os
índios a derretiam
como caieiras deitando
lenha em cima”.
Em 1739, a
Coroa concede a
provisão régia a
Antonio Gonçalves de
Araújo para explorar
minérios na sesmaria
que havia sido
concedida, em 1730,
a Manuel Francisco
dos Santos Soledade,
em Araticum. Voltando
um pouco atras
no tempo, em
1590, já circulavam
na Ibiapaba os
franceses que, com
amizade com os
indígenas, exploravam as
terras da Ibiapaba.
Defende Sadoc de
Araújo, na mesma
obra, que “a
história do Ceará
começou na Ibiapaba”,
mas que, sem
estudos e análises
profundas, por carência
de documentos e de interesse,
alguns perdidos em
Portugal, na França
e na Holanda.
A
GRUTA. A
existência da gruta
remonta a milhares
de anos, quando
a água secou
todo o sertão.
À medida que
todas as águas
evaporaram ou foram
para o mar,
as rochas da
gruta e a
própria surgiram na
superfície. As estalagmites
e estalactites foram se
formando ao longo de centenas
de anos por
pequenas gotículas de
água que agregam
resquícios calcáreos, agua
esta oriunda de
pequenos veios que
circulam nas entranhas
das pedras, concluindo
as obras naturais
que constituem as
SALAS do cavalo,
da rosa, das
cortinas, dos retratos,
dos índios, do
tuxaua, do mocozal,
do funil, das
bacias, conforme
as descrições de
Caio Lóssio Botelho
e Manuel Miranda,
em visita no
ano de 1961
e de Ubajtuba
de Miranda, que
cita ainda as
SALAS das maravilhas
e do oratório.
Durante a estadia
de Manuel Miranda
à gruta, acima
mencionada, ele concluiu: “
As mil nuanças (
nuances ) da gruta são um
verdadeiro e deslumbrante
atestado da magnificência
e prodigalidade do trabalho
mágico dos agentes
geológicos”.
MAS
O FATO ao
qual quero me referir é
quanto a IDADE
da LADEIRA DE
UBAJARA. Esta não
é tão velha,
pois é de
se supor que
é daí de
1700, pois veja bem, naquele
período, por conta
da narrativa da
existência de prata
na região, passou
a acontecer mais
acessos ao local
com pessoas interessadas
em descobrir a
tal prata. Os
principais interessados foram
Manuel Francisco dos
Santos Soledade, que
obteve sesmaria em
Araticum, em 1730 e
Antonio Gonçalves de
Araújo, idem, em
1738. Havia
trânsito de indígenas
e de brancos,
ambos com os
mesmos interesses. Vale
lembrar que, conforme
anotam alguns
pesquisadores, em determinadas
eras, também em
consequencia dos trabalhos
nas minas, um
povoado foi sendo
construído na “boca
da ladeira”, em
expressão da época, para
abrigar os trabalhadores
da mina de
Araticum. O povoado,
de casas simples
estava localizado, como
disse, nas
proximidades do início da descida para
o sertão da “Remela”. Situando
melhor: um caminho
seguia para o
riacho que forma
a cachoeira do
Cafundó; o outro
seguia para o
começo da ladeira.
Lembro que, do
lado direito da
entrada para a
ladeira, havia uma cruz de
madeira fincada, considerando
que este sinal
seria em referência
ao padre Francisco
Pinto, caso a
ser revisado em
nota a ser
concluída em breve.
Para
não deixar possibilidade
de interpretação sobre
a palavra REMELA. O
termo foi, por
muito tempo, utilizado
para se referir
ao distrito de
Araticum. Quem vinha
do Araticum, vinha
da REMELA. Os habitantes
de Araticum, quando
vinham para a sede do município de
Ubajara, eram obrigados
a saírem “com o escuro”,
ou seja, muito
cedo e, muitas
vezes, nem ao
menos lavavam os
olhos, criando a remela, que
é uma Mistura de muco, óleos, células da pele
e lágrimas que se acumulam quando você dorme e para de piscar. ( IA do Google
).
Vale
ressaltar que este povoado
foi conhecido dos
que se dirigiam
às minas como
Ubajara e foi
abandonado ai por
volta de 1750,
quando os trabalhos
da mineração acabaram,
conforme anotações de
outras fontes. A pequena vila,
ruindo vagarosamente, foi
completamente tomada pela
vegetação do parque
nacional.
Ao
correr dos anos,
a ladeira do Araticum foi sendo melhorada,
sendo calçamentada em
pontos de maior
dificuldade de trânsito
de pessoas e animais, visto
que a via
servia de acesso
aos moradores do sertão para
o transporte de
cargas em tropas
de jumentos
e burros para
abastecer o mercado
da sede do
Município e de
pacientes “em redes”
para tratamento na cidade
em tempos não
distantes. No período
em que a via era
de livre trânsito,
fui ao sertão
por inúmeras vezes
por ela e
ainda vi ruinas
do povoado e
a cruz acima
citada. Não há recordação de
ter foto, oportuna
neste caso. Naqueles
tempos não tinha
uma câmera. Com
uma câmera na
mão, tentei ir à “boca
da ladeira para
fazer umas fotos
do local. O
vigilante do portão
de acesso não
deixou. Falou que em teria
que ir pedir
permissão ao diretor
do parque.
Atualmente,
a ladeira está
sob mando do ICMbio por
estar situada no
interior do parque
nacional de Ubajara, e serve ainda
de via de
transporte de alguns
moradores da região
de Araticum e
de trilha para
amantes dos esportes
ligados à Natureza
e aos turistas
que visam apreciar
as belas paisagens
naturais da região.
Mecosta
2026