SAUDADE
Que dá
Do banho de chuva
Ou de, na velha ponte da rodagem,
Banho de rio tomar;
Velha ponte perdida,
No tempo e na paisagem,
Ponte que já não vê
A alegria de meninos
Despreocupados com seus destinos.
Saudade que dá
Do seu Pompílio e do engenho,
Com cheiro adocicado do bagaço
E da garapa
E do abençoado bolão de rapadura,
Que ele, bondoso,
dava a nós meninos.
Que saudade
De a cana amarelo – esverdeada
Moer,
a dentada,
Para a garapa beber.
Ah que saudade que dá
Das caçadas nas tardes ensolaradas e quentes
Dos sanhaçus, das choros e sabiás,
Com a baladeira, em punho.
Feita de liga de câmara de ar.
Ah! Que saudade que dá
Das noites enluaradas
Das brincadeiras inocentes preparadas:
Esconde - esconde;
Pega – pega;
A serenata na janela
Daquela primeira namorada.
Saudade das estórias de trancoso
Contadas pelos mais velhos
Para amedrontar os adiantados,
Quando diziam que o lobisomem
corria nas estradas na quinta feira;
Estórias de amortalhado e de assobiador,
Que, por pecados assumidos, pagavam penitência ...
Que saudade que dá
De sem medo andar,
A qualquer hora da noite,
Escura noite,
Chuvosa e tenebrosa de abril,
Quando chovia em cântaros,
Sem risco de,
de cara dar,
Com os lobos bestializados,
Pela droga da vã fumaça
que, viciante,
Mata o incauto,
sem dó
nem piedade.
MeCosta. 2024
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