terça-feira, abril 01, 2025

SAUDADE

 


  SAUDADE


Que  dá

Do  banho  de  chuva

Ou  de, na  velha  ponte  da  rodagem,

Banho  de  rio  tomar;

Velha  ponte  perdida,

No  tempo  e  na  paisagem,

Ponte  que  já  não  vê

A  alegria  de  meninos

Despreocupados  com  seus  destinos.


Saudade   que  dá

Do  seu  Pompílio  e do  engenho,

Com  cheiro  adocicado  do  bagaço

E  da  garapa

E  do  abençoado  bolão  de  rapadura,

Que  ele,  bondoso, 

dava  a  nós  meninos.


Que  saudade

De  a  cana  amarelo – esverdeada

Moer,

a  dentada,

Para  a  garapa  beber.


Ah  que  saudade  que  dá

Das  caçadas  nas  tardes  ensolaradas  e  quentes

Dos  sanhaçus,  das  choros  e  sabiás,

Com  a  baladeira,  em  punho. 

Feita  de  liga  de  câmara  de  ar.  


Ah!  Que  saudade  que  dá

Das  noites  enluaradas

Das  brincadeiras  inocentes  preparadas:

Esconde  - esconde;

Pega – pega;

A serenata na  janela

Daquela  primeira  namorada.


Saudade  das  estórias  de  trancoso  

Contadas  pelos  mais  velhos

Para  amedrontar  os  adiantados,

Quando  diziam  que  o  lobisomem  

corria  nas  estradas  na  quinta  feira;

Estórias  de  amortalhado  e  de  assobiador,

Que,  por  pecados  assumidos,  pagavam  penitência  ...


Que  saudade  que  dá

De  sem  medo  andar,

A  qualquer  hora  da  noite,

Escura  noite,

Chuvosa  e  tenebrosa  de  abril,

Quando  chovia  em  cântaros,

Sem  risco  de,  

de  cara  dar,

Com  os  lobos  bestializados,

Pela  droga  da  vã  fumaça  

que, viciante,

Mata  o  incauto, 

sem  dó 

nem piedade.


MeCosta. 2024


Nenhum comentário:

Postar um comentário

BANCO DE BIOGRAFIAS

LOS INDIOS TABAJARAS - MAIS

  Texto  do  jornalista  Luis  Nassif. Veja  que  o  depoimento  cita  UBAJARA.  Há  um  blogueiro  no  trecho  que  dá  a  informação  de  ...