Eu e o Sertão
Sertão, argúem te cantô,
Eu sempre tenho cantado
E ainda cantando tô,
Pruquê, meu torrão amado,
Munto te prezo, te quero
E vejo qui os teus mistéro
Ninguém sabe decifrá.
A tua beleza é tanta,
Qui o poeta canta, canta,
E inda fica o qui cantá.
Credito: portal MST
4. Vaca Estrela e Boi Fubá
Seu doutor, me dê licença
pra minha história contar
Hoje eu tô na terra estranha,
é bem triste o meu penar
Eu já fui muito feliz
vivendo no meu lugar
Eu tinha cavalo bom
e gostava de campear
Todo dia eu aboiava
na porteira do curral
Eeeeiaaaa, êeee Vaca Estrela, ôoooo Boi Fubá
Eu sou filho do Nordeste,
não nego meu naturá
Mas uma seca medonha
me tangeu de lá prá cá
Lá eu tinha o meu gadinho, não é bom nem imaginar
Minha linda Vaca Estrela
e o meu belo Boi Fubá
Aquela seca medonha
fez tudo se atrapalhar
Eeeeiaaaa, êeee Vaca Estrela, ôoooo Boi Fubá
Não nasceu capim no campo para o gado sustentar
O sertão se estorricou,
fez o açude secar
Morreu minha Vaca Estrela,
se acabou meu Boi Fubá
Perdi tudo quanto eu tinha, nunca mais pude aboiar
Eeeeiaaaa, êeee Vaca Estrela, ôoooo Boi Fubá
O poema em questão exibe uma narrativa em primeira pessoa onde ficamos sabendo sobre os acontecimentos na vida de um sujeito que vivia no campo e tinha sua terra e seus animais, que lhe provinham sustento.
Por conta da seca, tal sujeito tem sua terra arrasada e perde seus animais. Assim, o poema é um lamento e uma denúncia sobre os males da seca no nordeste.
Esse poema integra o álbum fonográfico A terra é Naturá, gravado em 1981. O disco tem vários textos recitados pelo poeta e contou com a participação de nomes da música como Nonato Luiz e Manassés no violão, Cego Oliveira na rabeca e Fagner na voz.
Crédito: Cultura Genial
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