segunda-feira, outubro 19, 2026

A EXPRESSÃO ESCAPEI FEDENDO...

 

“ESCAPEI  FEDENDO...”

A EXPRESSÃO

 

           Foi  num  domingo  de  um  mês  e  de  um  ano  qualquer. Tudo  acertado,  arrumamos  as  tralhas  e,  no  carro  de  Zé  Pedro,  descemos  para  o  sertão.  O  objetivo  era  pescar,  comer  o  peixe  pescado  e  tomar  banho  no  açude  da  Floresta.  A  Floresta  é  uma  região  pertencente  ao  município  de  Pacujá.  Lá,  em  um  pequeno  monte,  há  uma  capela  que  os  viajantes  das  estradas  locais  veem  de  longe. 

          Alguns  só  queriam  tomar  banho,  comer,  beber    e  relaxar,  após  o  rango,  deitados  em  redes  que  levavam. Poucos  queriam  realmente  pescar.   Eram  cerca  de  10  ocupantes  do  veículo,  entre  estes  estava  Marcelo  Sousa (in  memoriam),  Amarildo, o  amigo  Caburé  e,  não  tenho  bem  certeza,  meu  grande  amigo,  pescador  de  verdade,  Zé  Felipe.  Esta  era  amizade  antiga,  pela  qual  tinha  grande  respeito  e  aqui  faço  a  homenagem  in  memoriam.  Lembro  que  Zé  Felipe,  em  momento  de  início  da  pesca,    me  chamava  e  dizia  que,  ao  final,  abriríamos  “as  urnas”.  Era  tipo  uma  competição  entre  eu  e  ele.  Assim,  encerrados  os  trabalhos,  íamos  contar  os  peixes  que  tínhamos  “pegado”.  E  ele,  Zé  Felipe,  sempre  levava  vantagem.  Ele  sabia  onde  o  peixe  fazia  morada.  E  assim  é  o  Pescador  com  p  maiúsculo:  sabe  onde  está  o  peixe.  Já  estes  pescossim  da  vida  não  sabem  de  nada.  Na  verdade,  a  grande  maioria,  só  pesca  “serra”,  a  água  que  passarim  não  bebe.

          Mas, sem  tergiversar,  voltemos  àquele  momento.  Quando  chegamos,  estabelecido  o  local  do  acampamento  debaixo  de  grande  sombra  dos  galhos  de  cajueiros  antigos,  juntada  a  madeira  seca  para  alimentar  o  fogo  da  comida,  alguns  foram  ver  e escolher  os  pontos  para  por  o  anzol  nágua.  Eu  mesmo  escolhi  ir  pescar  num  local  que  considerei  bom  de  peixe,  aberto,  calmo  e  limpo. Naquele  momento  a  superfície  da  água  estava  tomada  por  uma  vegetação  que  não  apresentava  muitos  espaços  abertos  para  botar  o  anzol.  O  local  que  escolhi  estava  do  outro  lado  além  do  acampamento,  a  cerca  de  15  metros  dali.  E  havia  a  necessidade  de  abrir  caminho  pelo  mato,  à  sombra  dos  grandes  galhos  do  cajueiral.  Então,  com um  facão  à  mão,  segui  cortando  galhos  e  pequenos  arbustos,  rumo  ao ponto  da  pesca.  Em  determinado  momento,  vejo  à  minha  frente,  deitado  em  berço  esplêndido, já  bem  perto  do  ponto  que  pretendia  atingir,  um  grande  galho  negro,  seguramente  de  cajueiro,  apodrecendo  vagarosamente.  Ao  tentar  ultrapassar  o  obstáculo,  fui  batendo  o  facão  na  casca  escura  para  cortar  a  folhagem  que  obstruía  a  minha  passagem.  E  eis  que  de  repente,  sem  esperar,  vi,  subindo  do  galho  seco,  uma  onda  de  marimbondos  pretos,  que  bem  poderia  ser  o  marimbondo  tatu, “de  nome  científico  Synoeca cyanea”,  ou  outro  do  “gênero Polybia ou Apoica”,  e/ou  “Vespas Caçadoras Solitárias ( da Família Pompilidae / Sphecidae)”;  todas  estas  vespas, se  utilizam  de  ocos  de  arvores  mortas  para  depositar  seus  ovos  e  proteger  suas  moradias ( IA  do  Google ).          Num  ímpeto,  sem  fazer  interesse  em  contar  quantos,  fiz  meia  volta  e  corri  rumo  ao  acampamento.  O  medo  me  empurrou  para  trás,  tão  grande  era  o  medo.  Não  tinha  outra  coisa  a  fazer  de  imediato.  Corri  rumo  ao  acampamento  com  “o  coração  na  mão”.

         Quase  me  borrei  de  medo.  Em  outras  palavras:  ESCAPEI  FEDENDO!!!!

 

                                                                                                                                              Mecosta  out 2026 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

BANCO DE BIOGRAFIAS

A EXPRESSÃO ESCAPEI FEDENDO...

  “ESCAPEI  FEDENDO...” A EXPRESSÃO              Foi  num  domingo  de  um  mês  e  de  um  ano  qualquer. Tudo  acertado,  arrumamos  as  t...