Por Messias Costa
O
primeiro registro sobre
a ocorrência da
seca foi referente
aos anos de
1499-1500. Naquele tempo
nem nome o
território tinha. Daí
em diante, são
inúmeras as anotações.
Em 1605 – 1606, quando
Pero Coelho de
Sousa esteve no
Ceará e na
Ibiapaba, foi tempo
de seca e,
claro, de sofrimento
para pessoas e
animais. E imaginemos
os efeitos da
calamidade: fome, sede,
doenças, mortes, muitas
mortes.
Agora
imaginemos quando a
seca acontece num
período de dois
anos. Esta condição
ocorreu por várias
oportunidades. Assim o
foi em 1614
e 1615. E
outras sequencias cronológicas
de fenômenos climáticos
rigorosíssimos: 1692-1693,
1736-1737, 1777-1778, 1816-1817, 1819-1920. As secas
de 1833-1834, empurraram
algumas famílias para a região
da Ibiapaba. Imaginemos
o panorama de
uma seca de
um ano. E
quando a seca
passava de um ano para
o seguinte. O
drama das famílias que
perdiam os seus
membros queridos, todos
os dias, vendo
eles morrerem à
míngua, sofrendo a
dor da fome.
Em
1836, chegaram ao
território do atual
município de Ubajara,
as famílias de ”Manuel
Luiz Pereira localizou -
se no lugar
Pavuna, em 1836;
Cosme Fernandes do
Rego, no sítio
Pau – Pitanga, em 1839; os
irmãos Manuel Soares
e Silva e
Francisco Soares e
Silva,(...) em 1840,
estabeleceram – se o primeiro
no sítio do
Meio e o
segundo no sítio
Buriti”, conforme os
apontamentos para a
história de Ubajara, de
Hemetério Pereira, para
a Revista do
Cinquentenário de Ubajara.
Em 1915, outra
seca muito rigorosa
atingiu o estado
do Ceará. E
novamente, muita sede,
fome, doenças e,
muitas mortes. Uma
leva de esqueletos
humanos vagueavam pelas
estradas do sertão
e das serras
a pedirem um
copo dágua, um
pedaço de pão
e uma sombra
para proteção contra
o sol escaldante.
A seca do
quinze foi o mote para
Raquel de Queiroz
escrever o QUINZE,
romance realista que
mostra as agruras
da seca terrível. Na crise climática de 1915, o governo do estado do Ceará promoveu a criação de campos de concentração de flagelados no interior.
Mas
agora já estamos
em 1932. E
não foi diferente
de outras épocas
de estiagem rigorosa.
Neste período, o
governo do estado
do Ceará criou
campos de concentração
com o objetivo
de evitar que
os sertanejos flagelados
chegassem até a
capital Fortaleza. Os
campos de Ipu,
Senador Pompeu, Quixeramobim,
Carius e Buriti
deram acomodação para
72 mil retirantes;
Em dois campos
de concentração, em
Fortaleza, foram retirados
1.800 seres esquálidos,
quase esqueletos vivos.
Os campos eram os de
Alagadiço e dos
Urubus, sendo bastante
sugestivo o nome
do campo: urubus!
EM
UBAJARA à época.
Era
prefeito interventor do
município de Ubajara,
em 1932, o
segundo Tenente RAMIRO ANTONIO
DE SOUSA que,
devido à grande
seca, no seu
auge, para
garantir a alimentação
para as famílias
ubajarenses, decretou que
nenhum item alimentício,
feijão, farinha, milho,
arroz, produzido no
município fosse vendido
para fora dele.
E este o
teor do
Decreto n 23
de 20 de
junho de 1932
Regula a saída dos gêneros
de
primeira necessidade produzidos
no município de
Ubajara ou armazenados
no mesmo.
O prefeito municipal
de Ubajara, 2º. Tte. Do Exército,
Ramiro Antonio de
Sousa, no uso
de suas atribuições
legais, e
Considerando que,
enquanto se fizerem
sentir os efeitos
da grande crise
climatérica que ora
assola o Estado,
é de máxima
importância para este
município, a regularização
da saída de
seus principais gêneros de
produção;
Paço Municipal de
Ubajara, 20 de
julho de 1932
Ramiro
Antonio de Sousa.
aa
2º. Tte – Prefeito Municipal
Mecosta
julho 2026
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