terça-feira, julho 21, 2026

OS CÃES QUE CHORAM de saudade

 

OS  CÃES  QUE  CHORAM

 

Na  rua  que  moro,

Tão  bela  e  maravilhosa  rua

Mais  do  que  a  tua,

Pois  é  minha, 

O  dono  botou  dois  cachorros

Numa  de  duas  casas

Que  ganhou,  sem  ônus, 

do  Pai,  que  era  muito  avaro.

 

Das  casas,  desocupadas,

Postas  à  venda,

Uma  agora  aos  novos  inquilinos  pertence.

Os  cães,  que  ora  ocupam  a  casa, 

Na  verdade,  estão  abandonados  no  local.

O  dono  visita  os  inquilinos,

dia – a – dia,

Somente  não  sei  se  todos  os  dias; 

Traz  comida  e  deixa  água.

Quando  ele  vem,  os  cachorros  latem,

Acho  que  de  alegria.

 

Porém,  quando  o  dono  se  vai,

Chorosos, 

Os  cachorros  latem  mais  ainda,

acho  que  saudosos.

 

Os  cães, 

como  os  brutos, 

como  o  vate  pronunciou,

também  amam, 

E  sentem  saudade.

E  choram  também  na  noite  e  na  madrugada,

Agora  batidos  pela  solidão 

Da  desumana  e  fria   prisão; 

latem  também  com  a  passagem, 

na  rua,

De  outros  caninos

Os  quais  vagueiam   nos  ventos  da   liberdade.

Mecosta

jul 2026


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