quarta-feira, setembro 30, 2026

de ARATICUM, LADEIRA, MINAS DE PRATA, UBAJARA

 



A  LADEIRA  DE  UBAJARA

E  A  GRUTA

 

DATAS  E  DE  FATOS

 

          Datam  de  1700,  as  referências  às  minas  de  Ubajara.  Diz  Sadoc  de  Araújo,  à  página  29  do seu  Estudos  Ibiapabanos: “ corria  o  boato  de  que  havia  tanta  prata  na  ladeira  da  Ubajara  que  os  índios  a  derretiam  como  caieiras  deitando  lenha  em  cima”.  Em  1739,  a  Coroa  concede  a  provisão  régia  a  Antonio  Gonçalves  de  Araújo  para  explorar  minérios  na  sesmaria  que  havia  sido  concedida,  em  1730,  a  Manuel  Francisco  dos  Santos  Soledade,  em  Araticum.  Voltando  um  pouco  atras  no  tempo,  em  1590,  já  circulavam  na  Ibiapaba  os  franceses  que,  com  amizade  com  os  indígenas,  exploravam   as  terras  da  Ibiapaba.  Defende  Sadoc  de  Araújo,  na  mesma  obra,  que  “a  história  do  Ceará  começou  na  Ibiapaba”,  mas  que,  sem  estudos  e  análises  profundas,  por  carência  de  documentos  e  de  interesse,  alguns  perdidos  em  Portugal,  na  França  e  na  Holanda. 

          A  GRUTA.   A  existência  da  gruta  remonta  a  milhares  de  anos,  quando  a  água  secou  todo  o  sertão.  À  medida  que  todas  as  águas  evaporaram  ou  foram  para  o  mar,  as  rochas  da  gruta  e  a  própria  surgiram  na  superfície.  As  estalagmites  e  estalactites  foram se  formando  ao  longo  de  centenas  de  anos  por  pequenas  gotículas  de  água  que  agregam  resquícios   calcáreos,  agua  esta  oriunda  de  pequenos  veios  que  circulam  nas  entranhas  das  pedras,  concluindo  as  obras  naturais  que  constituem  as  SALAS  do  cavalo,  da  rosa,  das  cortinas,  dos  retratos,  dos  índios,  do  tuxaua,  do  mocozal,  do  funil,   das  bacias,   conforme  as  descrições  de  Caio  Lóssio  Botelho  e  Manuel  Miranda,  em  visita  no  ano  de  1961  e  de  Ubajtuba  de  Miranda,  que  cita  ainda  as  SALAS  das  maravilhas  e  do  oratório.  Durante  a  estadia  de  Manuel  Miranda  à  gruta,  acima  mencionada,  ele  concluiu: “  As  mil  nuanças (  nuances )  da  gruta  são  um  verdadeiro  e  deslumbrante  atestado  da  magnificência  e prodigalidade    do  trabalho  mágico  dos  agentes  geológicos”.

            MAS  O  FATO  ao  qual  quero  me  referir  é  quanto  a  IDADE  da  LADEIRA  DE  UBAJARA.  Esta  não  é  tão  velha,  pois  é  de  se  supor  que  é  daí  de  1700,  pois  veja  bem,  naquele  período,  por  conta  da  narrativa  da  existência  de  prata  na  região,  passou  a  acontecer  mais  acessos  ao  local  com  pessoas  interessadas  em  descobrir  a  tal  prata.    Os  principais  interessados  foram  Manuel  Francisco  dos  Santos  Soledade,  que  obteve  sesmaria  em  Araticum,  em 1730  e  Antonio  Gonçalves  de  Araújo,  idem,  em  1738.   Havia  trânsito  de  indígenas  e  de  brancos,  ambos  com  os  mesmos  interesses.  Vale  lembrar  que,  conforme   anotam  alguns  pesquisadores,  em  determinadas  eras,  também  em  consequencia  dos  trabalhos  nas  minas,  um  povoado  foi  sendo  construído  na  “boca  da  ladeira”,  em  expressão  da  época,  para  abrigar  os  trabalhadores  da  mina  de  Araticum.  O  povoado,  de  casas  simples  estava  localizado,  como  disse,    nas  proximidades  do  início  da  descida  para  o  sertão  da  “Remela”.  Situando  melhor:  um  caminho  seguia  para   o  riacho  que  forma  a  cachoeira  do  Cafundó;  o  outro  seguia  para  o  começo  da  ladeira.  Lembro  que,  do  lado  direito  da  entrada  para  a  ladeira,  havia  uma  cruz  de  madeira  fincada,  considerando  que  este  sinal  seria  em  referência  ao  padre  Francisco  Pinto,  caso  a  ser  revisado  em  nota  a  ser  concluída  em  breve.

          Para  não  deixar  possibilidade  de  interpretação  sobre  a  palavra  REMELA.  O  termo  foi,  por  muito  tempo,  utilizado  para  se  referir  ao  distrito  de  Araticum.  Quem  vinha  do  Araticum,  vinha  da  REMELA.  Os   habitantes  de  Araticum,  quando  vinham  para  a  sede  do  município  de  Ubajara,  eram  obrigados  a  saírem  “com  o escuro”,  ou  seja,  muito  cedo  e,  muitas  vezes,  nem  ao  menos  lavavam  os  olhos,  criando  a  remela,  que  é  uma  Mistura de muco, óleos, células da pele e lágrimas que se acumulam quando você dorme e para de piscar.  ( IA  do  Google ).     

           Vale  ressaltar que  este  povoado  foi  conhecido  dos  que  se  dirigiam  às  minas  como  Ubajara  e   foi  abandonado  ai  por  volta  de  1750,  quando  os  trabalhos  da  mineração  acabaram,  conforme  anotações  de  outras  fontes.      A  pequena  vila,  ruindo  vagarosamente,  foi  completamente  tomada  pela  vegetação  do  parque  nacional.    

           Ao  correr  dos  anos,  a  ladeira  do  Araticum  foi  sendo  melhorada,  sendo  calçamentada  em  pontos  de  maior  dificuldade  de  trânsito  de  pessoas  e  animais,  visto  que  a  via  servia  de  acesso  aos  moradores  do sertão  para  o  transporte  de  cargas  em  tropas  de    jumentos  e  burros  para  abastecer  o  mercado  da  sede  do  Município  e  de  pacientes  “em  redes”  para  tratamento na  cidade  em  tempos  não  distantes.  No  período  em  que  a  via  era  de  livre  trânsito,  fui  ao  sertão  por  inúmeras  vezes  por  ela   e  ainda  vi  ruinas  do  povoado  e  a  cruz  acima  citada.  Não  há  recordação  de  ter  foto,  oportuna  neste  caso.  Naqueles  tempos  não  tinha  uma  câmera.  Com  uma  câmera  na  mão,  tentei  ir  à  “boca  da  ladeira  para  fazer  umas  fotos  do  local.  O  vigilante  do  portão  de  acesso  não  deixou.  Falou  que  em  teria  que  ir  pedir  permissão  ao  diretor  do  parque. 

            Atualmente,  a  ladeira  está  sob  mando  do  ICMbio  por  estar  situada  no  interior  do  parque  nacional  de  Ubajara,   e  serve  ainda  de  via  de  transporte  de  alguns  moradores  da  região  de  Araticum  e  de  trilha  para  amantes  dos  esportes  ligados  à  Natureza  e  aos  turistas  que  visam  apreciar  as  belas  paisagens  naturais  da  região.

Mecosta 2026



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